GUY BOURDIN: NOTÁVEL DESCONHECIDO

•13 abril, 2012 • Deixe um comentário

Cores vibrantes, objetos deslumbrantes, medo, violência e sexo. A curiosidade dos olhos infantis que espiam as incógnitas do mundo adulto através do buraco de uma fechadura. Essa sempre será a lente de Guy Louis Banarès, mais conhecido como Guy Bourdin.

O fotógrafo francês, pouco conhecido do grande público se comparado a outros nomes da fotografia de moda, subverteu e influenciou a imagem da propaganda. Nascido em Paris no ano de 1928, recebeu suas primeiras lições de fotografia quando serviu o exército de seu país no Senegal (1948/1949).

De volta a sua terra natal, Guy tornou-se pupilo do mestre Man Ray, revolucionário da fotografia. Logo depois, em 1955, Bourdin já borrifava seu surrealismo lúdico e erótico nas páginas da Vogue francesa, com direito a páginas duplas e um contrato que se estenderia até 1987. Também colaborou com outras nacionalidades da mesma publicação e outros títulos editoriais como a Harper’s Bazaar.

No ano de 1967, Guy Bourdin estreia no mundo das campanhas publicitárias para a marca de sapatos Charles Jourdan. Durante 14 anos de parceria, o fotógrafo construiu uma identidade visual única e atrevida, concorrendo com as avalanches publicitárias da década de 70. A irreverência de suas imagens comerciais se deve a combinação de personificar produtos e simbolizar pessoas.

Guy ainda fez trabalhos publicitários para outras grandes marcas como Chanel, IsseyMiyake, Versace, Gianfranco Ferré e Emanuel Ungaro. Faleceu em 1991, na cidade de Paris, aos 62 anos. Sua obra é uma referência estética constantemente revisada e atualizada quando o assunto é criar um objeto desejo. Alguns exemplos são as criações da Gucci, para o verão 2011; da Givenchy, para o inverno 2012/13 e a polêmica campanha dos perfumes Tom Ford, em 2007.

FABERGÉ DOS OVOS DE OURO

•5 abril, 2012 • Deixe um comentário

Compreender um artigo de luxo como uma invenção comercial do recente universo capitalista pode ser um equívoco. Os ovos de ouro de Pierre-Karl Fabergé (1846-1920), um ourives e joalheiro russo, comprovam como a arte de imprimir e construir memórias através de objetos singulares faz parte da história da humanidade.

Em meio à Rússia dos Czares, onde a igreja cristã ortodoxa tem considerável influência, a celebração da páscoa e seus rituais é uma ocasião especialmente celebrada, o que inclui o habito de presentear com ovos; sejam estes de madeira, naturais ou pedra, sempre pintados em cores vibrantes. Uma tradição relativamente comum que, através das mãos do artesão de pedras preciosas, alcançaria o status de luxo.

Gilles Lipovetsky, um filósofo Frances que tem diversos estudos sobre a metodologia do luxo, afirma em seu livro O luxo eterno: “o luxo é o sonho, o que embeleza o cenário da vida, a perfeição tornada coisa pelo gênio humano”. E foi isso que Fabergé fez.

Para atender ao pedido do Czar Alexandre III, que desejava presentear sua imperatriz Marie Fedorovna na ocasião da páscoa, o joalheiro cria em 1885 o primeiro ovo Fabergé, de uma série de 69 ovos dos quais somente 61 sobreviveram até o presente. Curiosas obras de arte em sintonia com a premissa de Oscar Wilde “Só os tolos não julgam pela aparência”; já que o trabalho de joalheria se concentra na embalagem e não necessariamente no conteúdo.

Hoje a casa Fabergé ainda existe, com lojas na França, Alemanha e Itália, e produzem jóias exclusivas sob encomenda. As peças sobreviventes estão expostas em diversos museus ao redor do mundo, sendo a maioria deles na Rússia

Os ovos Fabergé são uma referencia de arte por sua técnica de rebuscamento excessivo, que obedeceram aos mais diversos estilos passando do barroco ao art decó. Um ícone sempre adotado na construção de imagens de moda e propaganda, quando a direção referencial é a estética Kitsch, equilíbrio perfeito entre uma ostentação quase vulgar e ao mesmo emocionante.

SEX: NOT SEXY!

•30 março, 2012 • Deixe um comentário

Responsável por embalar algumas das melhores canções, construir visões fascinantes e inflamar desejos. Sexo, o coadjuvante indiscreto, uma temática que abarrota plateias e superfatura bilheterias, tem mostrado no cinema sua face menos sedutora e mais repulsiva.

As proibidas e prazerosas aventuras extraconjugais de Catherine Deneuve no clássico “A Bela da Tarde” ou a perigosa e excitante jornada sexual de Tom Cruise e Nicole Kidman em “De Olhos Bem Fechados”, último filme do polêmico diretor Stanley Kubrick – tudo isso ficou para trás, o retrato cinematográfico do sexo atual ultrapassou o fetiche e alcançou a solidão.

Os recém estreados “Shame”, um executivo bem sucedido, morando sozinho em Nova York, é surpreendido pela visita inesperada da irmã e “Sleeping Beauty” (título em português, “Beleza Adormecida”), uma jovem universitária de classe média baixa que faz todo o tipo de trabalho para sobreviver; são filmes que parecem ter narrativas bem distintas exceto em um ponto: sexo mórbido.

Muitos toques e sussurros, mas nenhum prazer. Os respectivos dramas de um executivo viciado em sexo e de uma universitária que se submete a prostituição em estado de sono inconsciente. Sexo solitário – seria este o novo modelo de relacionamento hedonista? Dois filmes que vão roubar seu fôlego, mas não será de prazer.

O TOM DA SEDUÇÃO

•22 março, 2012 • Deixe um comentário

“O único objeto completamente imóvel no salão era um enorme divã, sobre o qual duas jovens mulheres flutuavam como se estivessem num balão ancorado. Trajavam ambas de branco, e seus vestidos ondulavam e adejavam como se elas tivessem acabado de pousar ali, após um breve vôo em torno da casa… A mais jovem das duas me era desconhecida. Estava estendida sobre o divã, completamente imóvel, o queixo um tanto erguido, como se equilibrasse sobre ele algo que estivesse a ponto de cair… A outra jovem, Daisy, fez menção de levantar-se; inclinou-se ligeiramente, com expressão grave; depois, riu – um risinho absurdo, encantador – e eu também ri, ao entrar na sala… Tornou a rir, como se tivesse dito algo muito espirituoso, e ficou um momento a segurar-me a mão, a fitar-me o rosto, assegurando-me que não havia ninguém no mundo cuja presença lhe causasse maior prazer. Essa era a sua maneira de ser. Insinuou, num murmúrio, que o sobrenome da jovem equilibrista era Baker. (Eu ouvira dizer que o murmúrio de Daisy tinha por objetivo fazer com que as pessoas se inclinassem diante dela… Crítica irrelevante, que nem por isso torna a coisa menos encantadora.)”.

“O Grande Gatsby” de Scott Fitzgerald

SIMPLESMENTE CHANEL

•16 março, 2012 • Deixe um comentário

Impor ao mundo a própria imagem como sinônimo de elegância. Essa pretensão foi a conquista de Gabrielle Chanel. Órfã de mãe e abandonada pelo pai, a garota solitária, nascida em 19 de agosto de 1883, tornou-se a mulher que construiu um império através do estilo.

O apelido Coco surgiu das fracassadas tentativas de ingressar no mundo dos palcos. Uma referência às duas únicas canções do repertório de Gabrielle, “Ko-Ko-Ri-Ko” e “Qui qu’a vu Coco”; o público a chamava com a palavra comum em ambos os refrões. Auto-intitulada a primeira mulher do século XX, Mademoiselle Chanel foi responsável pelas maiores transformações visuais do vestuário feminino.

Abolição do espartilho, libertação da cintura, o uso de formas retas e tubulares, apropriação de peças do universo masculino entre outras ousadias e atrevimentos (como o uso do jérsei; usado apenas na confecção de roupas intimas até então).

Essa visionária fez da necessidade sua maior inspiração. A estilista transformou sua condição de simplicidade em regra de bom gosto. Surge o minimalismo chic, silhueta levemente geométrica e precisamente ornamentada. Uma imagem que seria adotada (juntamente com um cheiro inconfundível, o Chanel nº 5) por uma legião de mulheres cansadas do vestuário excessivamente decorado.

A androgenia, o binômio preto e branco e as inspirações barrocas. Com o desejo de fazer uma moda que dure para sempre, o vocabulário Chanel tem códigos constantes e sem nenhum receio de repetição. Faleceu no dia 11 de janeiro de 1971, aos 87 anos, em sua suíte particular no hotel Ritz. Muito além de pérolas, correntes, camélias e matelassê; Mademoiselle deixa um legado, um estilo… Simplesmente Chanel.

Refererências: “A Era Chanel”, Edmonde Charles-Roux, Editora Cosac e Naify.

PARA SEMPRE MARILYN

•9 março, 2012 • Deixe um comentário

A mulher sensual e dominadora, de curvas marcantes e lábios carnudos conseguia ser na mesma medida vulnerável e delicada. Uma Mistura fascinante, que conquistou tanto a indústria do cinema quanto o mundo e rendeu a Marilyn Monroe o título de símbolo sexual e a tornou o grande ícone de uma geração.

Rainha de leves comédias e doces romances, a atriz protagonizou títulos como: “Os homens preferem as loiras”,Quanto Mais Quente Melhor” e “Como agarrar um milionário”, onde a loira determinada e sedutora é sempre a personagem principal. Propaganda feminista viva, Marilyn trazia para fora das telas o que suas personagens viviam; ideais de igualdade entre os sexos, independência e emancipação da mulher.

A artista sempre teve uma vida sentimental conturbada, marcada por relacionamentos breves e passageiros, como o caso extraconjugal com John Kennedy, e o eterno dilema de ser vista por muitos e enxergada por poucos. Marilyn será sempre lembrada como aquela garota que dormia vestindo “apenas três gotas de Chanel nº 5”.

Para rever a musa, a Cinemateca Brasileira em São Paulo apresenta, até 01 de abril, a exposição “Quero ser Marilyn” com 125 imagens da atriz feitas pelo mais diversos olhares. Assinam os retratos grandes nomes da fotografia Henri Cartier-Bresson, Richard Avedon e Andy Warhol.

Serviço:
Endereço: Largo Senador Raul Cardoso, 207. Próxima ao Metrô Vila Mariana.
Data: de 4 de março a 1° de abril (todos os dias, das 10h às 22h)
Valor: Entrada Franca. Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215) e no site www.cinemateca.gov.br/

GET THE LOOK

•6 março, 2012 • Deixe um comentário